“Não é mais possível mulheres sofrerem violência política”, diz Janja, em evento no Paraná

Em seu discurso, Janja lembrou o assassinato de Marielle Franco e disse que a vereadora foi calada por representar as mulheres no parlamento.

A primeira-dama, Janja Lula da Silva, participou do 1º Encontro de Integração de Mulheres Latino-Americanas, promovido pela Itaipu Binacional em Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná, na noite desta terça-feira (25).

Durante o evento, que reuniu 1,4 mil pessoas, foi criado o Comitê de Gênero, Raça e Inclusão do lado brasileiro da Binacional e anunciados investimentos na cidade da tríplice fronteira.

Em seu discurso, Janja lembrou o assassinato da vereadora Marielle Franco, em 2018. Sem citar diretamente a delação premiada de um dos envolvidos no crime, a primeira-dama disse que Marielle foi calada por representar as mulheres no parlamento. A vereadora foi homenageada com aplausos.

“Tenho falado muito no Brasil da violência política que as mulheres vêm sofrendo. [Que] este encontro aqui seja importante para começarmos a refletir sobre isso. Também tenho falado da importância das mulheres da América Latina e do Caribe nos unirmos numa só voz para que nossa representação política seja cada vez maior. É importante estarmos no parlamento para que garantia dos nossos direitos seja votada e defendida”, ressaltou Janja.

Em Foz, a primeira-dama disse que pretende promover, no primeiro semestre do próximo ano, um grande encontro de mulheres parlamentares da América Latina e do Caribe para debater as dificuldades de atuação feminina na política

“Não é possível mais as mulheres aguentarem a violência política. Seja nos parlamentos, nas redes sociais. O que acontece hoje é inaceitável. É sobre isso que a gente precisa dialogar”, disse Janja.

Além da primeira-dama, o evento da Itaipu Binacional também contou com a presenta da ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, da ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, da presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, da representante nacional de Programas da ONU Mulheres Brasil, Ana Carolina Querino, além da deputada federal pelo Paraná Gleisi Hoffmann (PT).

Cida Gonçalves destacou que o combate à misoginia foi definido como um dos grandes eixos na reunião das altas autoridades do Mercosul, realizada no fim de maio na Argentina. Sem dar detalhes, a ministra destacou que, em 17 de agosto, haverá um grande encontro para discutir o enfrentamento ao ódio contra as mulheres no Mercosul, na América Latina e no Caribe.

“Nós mulheres não vamos aceitar morrer, nem sermos violentadas nem ser caladas em nenhum lugar do mundo. Os lugares que nós conquistamos, os espaços que nós conquistamos nunca foram doados. Nós conquistamos na luta, na rua. Por isso que não vamos voltar para a cozinha, para o tanque. Vamos ficar onde queremos, estamos e vamos subir mais”, declarou Cida Gonçalves.

Também presente ao encontro, a primeira-dama da Argentina, Fabíola Yáñez, ressaltou que seu país é reconhecido internacionalmente pelo avanço no direito das mulheres e das minorias. Ela destacou a criação do Ministério para Mulheres, Gênero e Diversidade, em dezembro de 2019. 

“A trajetória da república argentina no reconhecimento de direitos das mulheres, da diversidade sexual e das identidades de gênero nos posicionou num lugar de liderança em nível mundial, o que me faz sentir muito orgulhosa do nosso país e de quem trabalhou por isso”, disse.

Acordos firmados e investimentos em Foz

Durante o encontro, foram anunciados compromissos da Itaipu Binacional e da Fundação Parque Tecnológico Itaipu (FPTI) com foco nas mulheres. Foi assinado um protocolo de intenções para a construção da Casa da Mulher Brasileira em Foz do Iguaçu, que abrigará mulheres vítimas de violência e fornecerá ajuda como capacitação.

O espaço, anunciou a primeira-dama Janja, atenderá não apenas brasileiras, mas mulheres latino-americanas que precisarem de ajuda. A iniciativa será expandida para outras cidades de fronteira.

Também foi anunciado o aumento da contribuição da Itaipu Binacional para a reforma da Delegacia da Mulher e do Turista em Foz do Iguaçu. O investimento total passará de R$ 2,9 milhões para R$ 3,5 milhões.

Outra medida é a distribuição mais igualitária no quadro funcional da Itaipu, inclusive nos cargos de liderança.

Pelo Parque Tecnológico Itaipu, foram assinados dois protocolos de intenções: o enquadramento da Fundação à Lei nº 14.611, que garante igualdade salarial entre homens e mulheres; e o lançamento de um edital para formação e qualificação de até 80 ideias desenvolvidas por mulheres e a seleção de cinco delas para a Incubadora Santos Dumont, com aporte de R$ 30 mil para desenvolvimento da solução.

“O evento celebra a retomada das iniciativas de responsabilidade social com foco nos públicos internos e externos da margem brasileira da Itaipu e faz parte dos compromissos assumidos com o presidente Lula”, explicou o diretor-geral da Itaipu Binacional, Enio Verri.

Com informações da Agência Brasil.