Pedro Ribeiro

“Sim, sou pré-candidato a prefeito de Curitiba”, reagiu nesta quinta-feira, 25, o deputado federal Zeca Dirceu (PT) dois dias antes da plenária da CNB (Construindo Um Novo Brasil), tendência majoritária do PT nacional e do Paraná. O encontro deste sábado (27) será na sede estadual do PT em Curitiba. “Essa pergunta que mais ouço e que mais recebo neste momento. Estou muito determinado, animado, com os apoios que tenho recebido, com todo respaldo”, disse o deputado petista que defende candidatura própria e aponta mais dois pré-candidatos no petismo: a deputada federal Carol Dartora e o advogado Felipe Magal.

“Defendo candidatura própria nas principais cidades do Paraná e vamos debater isso de forma transparente, de forma coletiva e construir a melhor decisão que viabilize a formação de uma frente de centro-esquerda e nos permita a vitória em outubro”, completa Zeca Dirceu ao apontar que essa frente pode ser formada pelo PT, PCdoB, PV, PDT, PSB, Psol, Rede e “partidos identificados com o governo Lula”, disse o deputado nesta entrevista exclusiva ao Paraná Portal.

Quais são seus planos para 2024?

Eu estou aguardando uma decisão que não cabe a mim, cabe ao meu partido e aos nossos aliados em relação a disputa a prefeitura de Curitiba. Em Brasília, estou ajudando o presidente Lula e o Paraná a fazer as transformações necessárias. Para mim, em 2024 vamos avançar na educação, minha grande prioridade. Como fiz nos outros anos, destinei a maior parte das emendas para a educação e saúde, uma área muito frágil que depende de recursos financeiros. E é claro, vou me dedicar em 2024, a visitar e viajar mais ao Paraná.

O senhor já chegou a  debater um plano de governo para Curitiba

O PT tem uma grande experiência e uma série de programas como o Orçamento Participativo de referência nacional nas administrações municipais. Temos debatido muito, inclusive no Congresso Nacional, a implantação da Tarifa Zero no transporte urbano, temos que avançar em áreas como habitação, saúde, educação integral e o combate à crescente desigualdade que empurra para as periferias das cidades e áreas de riscos, milhares de famílias. Em Curitiba, não é diferente e o governo municipal tem que ser mais atuante neste sentido. Agora, todos os programas federais exitosos, como o Minha Casa, Minha Vida, Mais Médico, Farmácia Popular, têm que ganhar versões municipais. Em outro flanco, como o setor produtivos, podemos criar um ambiente de negócios mais verde e sustentável, com mais empregos e melhores salários em áreas como tecnologia e inovação, trazendo mais uma referência para Curitiba das que a capital dos paranaenses tem de exemplos e projetos bem sucedidos.

Como o senhor vê o Brasil daqui a 4 anos?

Eu quero o Brasil com o presidente Lula, em evolução como foi no último ano. Vamos continuar melhorando os salários, com mais emprego, controlando a inflação e  diminuindo o custo de vida que ainda é muito alto. Vamos receber mais investimentos internacionais, se relacionando com o mundo, exportando, vendendo para o mundo todo como o presidente Lula tem feito nas viagens internacionais, articulando a produção da indústria brasileira e  do agronegócio para chegar a outros países de forma competitiva, gerando emprego no Brasil, trazendo dólares e investimentos. Somos um país que respeita a democracia, um país que respeita o povo mais pobre, valoriza quem precisa de fato de governo.

Como o senhor lida com as novas decisões da justiça que vem inocentando seu pai (José Dirceu)?

Foi uma injustiça cometida contra ele que nos trouxe muita ansiedade que às vezes ainda nos consome, sofremos junto com a família e amigos, mas sempre tivemos apoio e força dos companheiros, da base e da militância do PT.  A verdade e a justiça estão muito perto. A gente espera que, inclusive, o julgamento se encerre neste ano. Todas as ilegalidades, como aconteceu com o presidente Lula, serão anuladas. E meu pai e tantos outros companheiros e companheiras possam voltar a vida pública, a vida política, a vida pessoal da maneira mais ampla, mais plena possível, porque todos são inocentes e têm esse direito.

Foi uma quadra difícil da vida da sua família?

Eu quero aproveitar sua pergunta para mais uma vez agradecer a todos e todas que sempre foram solidários comigo ou com o meu pai, com a minha família, com o nosso partido, com o presidente Lula. Fomos vítimas de uma série de inverdades e de processos judiciais tocados na ilegalidade como está provado tudo que aconteceu na Lava Jato. Um juiz combinava com a acusação para depois julgar aquela mesma acusação que ele combinou. Isso é totalmente ilegal, imoral e inaceitável condenar sem provas como aconteceu muito. É de uma ilegalidade sem tamanho como coagir suspeitos para obrigá-los a fazer delações, ameaçando inclusive seus familiares para tentar produzir provas que nunca existiram. A verdade prevaleceu e hoje nós estamos todos livres, governando o país, fazendo o Brasil ser feliz de novo.

O projeto político, daqui alguns anos, inclui se candidatar à presidência da República?

É uma situação que eu nunca pensei. Ouvi muito no passado, claro, a possibilidade real do meu pai ter sido candidato a presidente, para suceder, inclusive, os oitos anos presidente Lula. Todos sabem da perseguição que ele sofreu, da maneira como ele foi tirado da vida pública. Eu gostaria muito de começar pelo governo do Paraná. Já governei a cidade que me viu nascer, que me viu crescer, que eu vivo até hoje, que é Cruzeiro do Oeste. Fiz um governo premiado, sou deputado federal há mais de uma década, muito focado em resultados, na transparência, na seriedade, na participação popular. Governar o estado que me viu nascer, o estado que eu vivo até hoje seria uma honra muito grande como também representá-lo no Senado. Importante é estar na vida pública ajudar as pessoas, seja onde for

Agora, se o Sérgio Moro for cassado, o senhor é candidato ao Senado?

Primeiro, eu não tenho dúvida nenhuma que Sérgio Moro será cassado. Digo isso porque há provas robustas que obrigam a Justiça Eleitoral a cassá-lo por abuso de poder econômico, campanha fora de época, caixa dois e tantas outras ilegalidades. Claro que para mim seria uma honra representar o Paraná no Senado, a população do Paraná aprova meu trabalho já por quatro mandatos consecutivos como deputado federal. No  Senado, é claro, poderia ajudar muito mais o Paraná e principalmente ajudar muito mais o presidente Lula. Tenho ouvido de que compõe a nossa executiva estadual do PT do Paraná, prefeitos, vereadores, outros deputados e deputados estaduais e federais da viabilidade do meu nome. É claro que essa é uma decisão que não cabe a mim, uma decisão que cabe ao partido. Eu estou à disposição e aguardando, é claro, primeiro a decisão da Justiça Eleitoral que a gente respeita muito.

O que podemos fazer para acabar com as fakes news?

É um tema muito complexo e ao mesmo tempo muito importante. Acabar, talvez não seja um desafio possível neste momento. Mas aprovando novas leis, com certeza diminuiria muito as fake news. Temos que mudar a legislação, por isso que  temos um projeto, uma proposta de lei tramitando no Congresso Nacional que prevê penalidades mais duras para aqueles que usam da internet para praticar crimes. Nós temos que punir aqueles que abusam da liberdade, ultrapassam a lei, cometem crimes na internet e precisamos punir e responsabilizar também as plataformas, os meios que permitem que isso aconteça livremente.