cuca-tecnico-athleticoFoto: Geraldo Bubniak/AGB)

Torcedoras do Athletico se revoltam com contratação de Cuca

Técnico esteve envolvido em caso de abuso sexual em 1987

O anúncio oficial da contratação do técnico Cuca dividiu a torcida do Athletico. Muitos torcedores aprovam a chegada do treinador por conta de antigos trabalhos, mas outros, principalmente mulheres, reprovaram.

O motivo é que Cuca foi condenado por caso de abuso sexual em caso na Suíça em 1987. No final do ano passado, o Tribunal de Berna anulou o julgamento por falhas processuais. A decisão não leva em consideração se o técnico é inocente ou culpado.

Torcedora do Athletico, a advogada Gabriela Carbornar afirmou que a anulação da sentença não apaga o ocorrido. “O que a gente sabe é que foi encontrado sêmen dele dentro de uma menina de 13 anos. Ele não foi inocentado, o julgamento dele foi anulado. É triste eu sendo mulher, uma pessoa que sabe o que é estar dentro do estádio e não se sentir segura porque homens olham para você. Desde que criança, eu sofro assédio dentro do estádio. Tem muita gente defendendo porque é uma coisa comum para eles”, declarou.

A torcedora Emily Gabrielle disse que não vai frequentar o estádio enquanto Cuca estiver no clube. “Ifelizmente nesse tempo em que Cuca estará no comando do Athletico me ausentarei do estádio, pois antes de ser torcedora sou mulher, e eu sei na pele o que é andar sozinha e com medo de que um homem ao seu lado seja um estuprador, não tem como se sentir segura dentro do estádio do meu clube sabendo que quem está no comando do time cometeu tal crime, e nem se quer pagou por tal ato. A palavra é apenas decepção”, afirmou.

RELEMBRE O CASO DE CUCA, AGORA TÉCNICO DO ATHLETICO

Em 1987, o Grêmio realizou uma excursão na Suíça. Cuca e mais três jogadores – Henrique Etges, Eduardo Hamester e Fernando Castoldi – foram detidos pela acusação de terem se relacionado sexualmente com uma menina sem consentimento.

Os quatro jogadores ficaram presos por um mês e pagaram fiança antes de retornarem para o Brasil. Nenhum deles participou do julgamento em 1989, mas todos foram condenados. Cuca, Eduardo e Henrique foram condenados a 15 meses de prisão por ato sexual com menor e coação. Já Fernando teve pena de três meses pelo crime de coação.

Em maio de 2023, a Globo revelou trecho do processo que falava na existência de um laudo com provas que o sêmen de Cuca foi identificado no corpo da vítima. A defesa do agora técnico do Athletico pediu um novo julgamento e alegou que o jogador não se defendeu durante o julgamento.

O Tribunal de Berna acatou o pedido de Cuca e o julgamento foi anulado em dezembro, mas sem entrar no mérito da questão. O processo foi extinto.