Gelson Bampi

Indústria paranaense projeta novos investimentos e aumento nas vendas

Sondagem Industrial da Fiep é um termômetro do setor para o ano.

A indústria paranaense projeta novos investimentos ao longo de 2024. Quase 90% dos empresários do setor, que gira a economia do Estado, afirma a disposição em realizar novos aportes. A maioria dos industriais também mostra otimismo no aumento das vendas. Os dados constam na Sondagem Industrial da FiepFederação das Indústrias do Paraná.

Divulgado nesta terça-feira (20), o levantamento da entidade é um termômetro do setor para o ano que se inicia, além de pautar a Fiep no sentido de conhecer as intenções, dificuldades e desafios dos empresários paranaenses.

Quando perguntados sobre a expectativa de desempenho da indústria para 2024, 47% dos industriais se mostraram otimistas ou muito otimistas. A maioria deles (57%) projetam um crescimento das vendas e na possibilidade de entrada em novos mercados (55%) neste ano.

A minoria do setor – 12% – se mostram pessimistas ou muito pessimistas com as perspectivas para o ano. O principal motivo, segundo os industriais, são as previsões de redução nas vendas de suas empresas (80%), dificuldade com os custos totais de produção (74%), entre outros fatores.

Embora cautelosos, os empresários demonstraram estar mais confiantes em relação à produtividade e competitividade (44%), com ações de PD&I (39%), investimentos (31%), disponibilidade de insumos e matérias-primas para produção (27%), com a cadeia de suprimentos (24%) e no que se refere à concorrência (19%), na comparação com a pesquisa anterior.

“Muitos industriais ainda analisam o cenário com certa cautela e mantêm expectativas neutras, mas a disposição para novos investimentos mostra que a indústria do Paraná pode seguir crescendo neste ano. Entendemos que esse cenário pode ganhar em dinamismo se tivermos ações efetivas em prol de políticas industriais nas esferas federal, estadual e municipal, que melhorem nosso ambiente produtivo e impulsionem a competitividade das empresas. É colocando isso como prioridade que a Fiep vem pautando suas ações”, aponta o presidente da Fiep, Edson Vasconcelos.

Investimentos da indústria no Paraná e impacto da economia

As circunstâncias da economia nacional, que envolvem questões como a inflação, taxa de juros e câmbio, entre outras, são determinantes para o desempenho dos negócios da indústria em 2024, segundo a Sondagem Industrial elaborada pela Fiep. Para 75% dos entrevistados, esse item tem alto impacto para os negócios. Em seguida, como fatores mais impactantes, aparecem a agenda de reformas (58%) e a corrupção (51%).

A boa notícia, conforme a entidade, é que mesmo com intenções cautelosas para 2024, 87% dos empresários que responderam à pesquisa confirmaram disposição em fazer novos investimentos.

Em torno de 30% dos industriais, inclusive, pretendem fazer mais ou muito mais do que foi realizado em 2023. Já outros 33% devem manter o nível feito em 2023, enquanto 24% devem reduzir os valores.

As prioridades de investimento são em melhoria de processos, produtos ou serviços (55%), redução de custos de produção (48%) e prospecção de novos mercados (47%). Além destas prioridades, ampliação da capacidade produtiva, modelos de negócio e comercialização e programas de melhoria da qualidade da empresa também aparecem como principais intenções de investimento.

A pesquisa também indica que 61% dos empresários devem utilizar recursos próprios nos novos aportes, e 21% pretendem recorrer a bancos de fomento e desenvolvimento.

O presidente da Fiep destaca que os investimentos são fundamentais para que as indústrias aprimorem seus processos produtivos e conquistem novos mercados.

“Principalmente por termos, da porta para fora das empresas, um ambiente com muitos desafios, é essencial que as empresas aumentem sua competitividade por meio de investimentos em melhorias de processos e produtos. Porém, para isso, é preciso melhorar as condições de crédito no país. Como mostra a pesquisa, o alto custo dos financiamentos faz com que as indústrias precisem utilizar recursos próprios, quando haveria um estímulo muito maior para investimentos se tivéssemos crédito mais barato e acessível”, completa Edson Vasconcelos.

Clique aqui para conferir todos os dados da Sondagem Industrial da Fiep.