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Língua Brasileira de Sinais abre portas para mudar vidas
José Cruz/Agência Brasil

Língua Brasileira de Sinais abre portas para mudar vidas

No Paraná, cerca de 516 mil habitantes são surdos; cursos são essenciais para a inclusão

Mirian Villa - segunda-feira, 24 de junho de 2024 - 09:52

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a população surda no país chega a 5%. O número representa, aproximadamente, 10 milhões de pessoas que possuem a deficiência das mais diversas formas: parcial, total, unilateral ou bilateral.

Do total, 2,7 milhões não escutam nada. Esse público é ainda mais dependente da Língua Brasileira de Sinais para conseguir se comunicar. A Libra é um sistema de representação simbólica das letras do alfabeto, soletradas com as mão, com gramática própria e estrutura linguística composta por aspectos fonológicos, morfológicos e léxicos.

Nessa língua existem sinais para quase todas as palavras conhecidas e para a execução dos sinais usa-se o movimento das mãos, além das expressões facial e corporal, quando necessário. No Brasil, a Lei nº 10.436/2002 reconheceu a Língua Brasileira de Sinais como meio legal de comunicação e expressão.

É essencial fortalecer o apoio às línguas de sinais como um direito humano essencial para os surdos e à população. No Paraná, a estimativa segundo o Censo (2010), é que cerca de 516 mil habitantes são surdos. Por isso, é fundamental que pessoas que não possuem deficiência se interessem por aprender a Língua Brasileira de Sinais, para que essa população se sinta integralmente incluída.

No Paraná, o Centro de Integração Empresa-Escola do Paraná (CIEE/PR) oferece capacitações gratuitas que trabalham conceitos teóricos e práticos de iniciação à Língua Brasileira de Sinais para pessoas a partir dos 14 anos.

“Pensamos em um conteúdo que abrangesse o vocabulário para auxiliar no cotidiano de cada participante. A resposta da turma foi tão boa que conseguimos prolongar o conteúdo e já tivemos pedidos para continuidade do curso”, conta a instrutora de Libras do CIEE/PR, Talita Gabrielle Ferreira Barroso Toleto.

Um dos diferenciais do curso de Libras do CIEE/PR é o foco na prática, com conteúdos a serem aplicados imediatamente na comunicação, como expressões de “bom dia”, “olá”, cores e até pedidos de socorro, distribuídos em seis tardes.

“A maioria [dos alunos] está procurando capacitação pensando no mundo de trabalho, mas também há quem queira se comunicar com amigos e conhecidos que são surdos. É muito legal que o que aprendem aqui está sendo levado para dentro de suas próprias casas, ensinando os familiares também”, comemora a instrutora.

É o caso da Beatriz Correia Ziomek, de 20 anos, que é estudante de nutrição e iniciou a vida acadêmica com uma motivação: promover a humanização e inclusão nos futuros atendimentos. “Como nutricionista, eu tenho que me comunicar com todos os meus pacientes. A língua de sinais para mim faz com que eles sejam vistos e não negligenciados. Esse é meu principal objetivo”, explica Beatriz.

Por meio da Língua Brasileira de Sinais (Libras), a jovem vê na comunicação uma forma de se conectar da melhor forma possível com seus pacientes, uma qualidade que, para ela, todos deveriam usufruir, independente das dificuldades trazidas pelas deficiências.E os desafios não são poucos. Assim como a linguagem fonética, a língua de sinais também possui variações.

“Por mais que seja o segundo idioma reconhecido no Brasil, ele muda bastante por conta das gírias regionais. A mesma palavra pode ser expressa de vários jeitos, então os sinais são diferentes aqui em Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo”, conta Beatriz, que participou de um curso de capacitação em Libras, para alcançar seus objetivos.

Levar inclusão a todos os ambientes também é a motivação da estudante de biomedicina Myllena Morelli, de 17 anos, que sonha em fazer a tradução simultânea das cerimônias religiosas que participa.

“Eu quero alcançar vidas de todas as formas e, na minha igreja não há alguém que faça a tradução, então eu seria a primeira. Outro motivo é poder me comunicar com um colega surdo da minha turma”, conta Myllena. Ela percebeu que a dificuldade auditiva é uma barreira na socialização com o colega, tanto para ela quanto para os demais estudantes.

“Ele é muito extrovertido e engraçado, vejo que a turma não interage muito com ele, não por não querer, mas por não saber como”, explica.

Os cursos de capacitação do CIEE/PR são gratuitos, com certificado, e abrangem diversas áreas, como comunicação, marketing, logística e informática. Podem participar pessoas a partir dos 14 anos, por meio de cadastro no site da instituição e acesso na aba “Cursos Gratuitos/Programas Sociais”.

A disponibilidade dos cursos pode variar mensalmente. Para mais informações, a instituição atende pelos telefones (41) 3313-4300, para Curitiba e região metropolitana, e 0800 300 4300, para as demais localidades.

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