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Coqueluche: Paraná tem aumento de 500% nos casos
Tony Winston/Agência Saúde-DF

Coqueluche: Paraná tem aumento de 500% nos casos

A doença é extremamente contagiosa, mas de fácil prevenção por meio de vacina

Mirian Villa - terça-feira, 18 de junho de 2024 - 08:47

Os casos de coqueluche, infecção respiratória altamente transmissível, aumentaram 500% no Paraná até a primeira quinzena de junho. Foram 24 notificações neste ano, contra três ocorrências no mesmo período do ano passado. Em todo o ano de 2023, foram 17 confirmações.

Conhecida como “tosse comprida”, a doença é extremamente contagiosa, porém, de fácil prevenção por meio de vacina. Por isso, a Sesa (Secretaria de Estado da Saúde) alerta a população sobre a importância de manter atualizada a carteira de imunização.

A 2ª Regional de Saúde Metropolitana, que abrange Curitiba e os municípios vizinhos, lidera o ranking de casos de coqueluche no Paraná, com 18 notificações neste ano. Em seguida, aparece a regional de Ponta Grossa, com quatro ocorrências, as regionais de Maringá e de Jacarezinho, com um caso cada uma. Não há registro de óbitos pela doença neste ano no Paraná.

Cobertura vacinal da coqueluche no Paraná

Atualmente, no Paraná, a cobertura vacinal da pentavalente em crianças menores de um ano está em 79,40%, quando o preconizado pelo Ministério da Saúde é 95%. Para esse público, a imunização da coqueluche se dá por meio da vacina pentavalente (que previne contra a difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e infecções causadas pelo Haemophilus influenzae B) e DTP (contra difteria, tétano e coqueluche).

A primeira deve ser aplicada em três doses, aos dois, quatro e seis meses de vida, já a DTP deve ser ministrada como reforço aos 15 meses e aos quatro anos. A vacina está disponível no SUS (Sistema Único de Saúde).

Gestantes e os profissionais da saúde devem receber a vacina dTpa (versão acelular da vacina contra difteria, tétano e coqueluche). No caso das grávidas, a vacina deve ser aplicada a cada gestação, a partir da 20ª semana, para que, com isso, forneça proteção também para os recém-nascidos.

“Mais uma vez enfatizamos a importância da imunização como prevenção às doenças que podem, e devem, ser eliminadas por meio da imunização. A vacina protege não só o indivíduo, mas garante uma proteção coletiva e atua contra a transmissão. Quando há um número expressivo de vacinados, o vírus encontra dificuldades para circular. Por isso, é fundamental imunizar o máximo de pessoas”, afirmou o secretário estadual da Saúde, Cesar Neves.

Na semana passada, após aumento no número de casos em países da Ásia e da Europa, o Ministério da Saúde, por meio da Nota Técnica Conjunta número 70/2024, recomendou a ampliação e intensificação da vacina em caráter excepcional também em trabalhadores que atuam em berçários e creches com atendimento de crianças até quatro anos em todo território nacional.

Casos aumentam em todo o Brasil

O Paraná não é o único estado que registra aumento de casos da doença. São Paulo, por exemplo, notificou 139 casos até o início de junho, um aumento de 768% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando houve 16 registros da doença.

No Brasil, o último pico epidêmico de coqueluche ocorreu em 2014, quando foram confirmados 8.614 casos. De 2015 a 2019, o número de casos variou entre 3.110 e 1.562. A partir de 2020, houve uma redução importante de casos da doença, associada à pandemia de covid-19 e ao isolamento social.

De 2019 a 2023, todas as 27 unidades federativas notificaram casos de coqueluche. Pernambuco confirmou o maior número de casos (776), seguido por São Paulo (300), Minas Gerais (253), Paraná (158), Rio Grande do Sul (148) e Bahia (122). No mesmo período, foram registradas 12 mortes pela doença, sendo 11 em 2019 e uma em 2020.

O que é a coqueluche?

Causada pela bactéria Bordetella Pertussis, a coqueluche é uma infecção respiratória presente em todo o mundo. A principal característica são crises de tosse seca, mas a doença pode atingir também traqueia e brônquios. Os casos tendem a se alastrar mais em épocas de clima ameno ou frio, como primavera e inverno.

Nas crianças, a imunidade à doença é adquirida apenas quando administradas as três doses da vacina, sendo necessária a realização dos reforços aos 15 meses e aos 4 anos de idade. Bebês menores de 6 meses podem apresentar complicações o quadro pode levar à morte.

O Ministério da Saúde alerta que um adulto, mesmo tendo sido vacinado quando bebê, pode se tornar suscetível novamente à coqueluche, já que a vacina pode perder o efeito com o passar do tempo. Por conta do risco de exposição, a imunização de crianças já nos primeiros meses de vida é tão importante.

Transmissão

A transmissão da coqueluche ocorre, principalmente, pelo contato direto do doente com uma pessoa não vacinada por meio de gotículas eliminadas por tosse, espirro ou até mesmo ao falar. Em alguns casos, pode ocorrer por objetos recentemente contaminados com secreções de pessoas doentes.

“Estamos alertando e promovendo, junto às 22 Regionais de Saúde e municípios do Paraná, ações articuladas e estratégias de prevenção e controle, como também de ampliação do diagnóstico da doença”, disse a diretora de Atenção e Vigilância em Saúde, Maria Goretti David Lopes.

Sintomas

Os sintomas podem se manifestar em três níveis. No primeiro, o mais leve, os sintomas são parecidos com os de um resfriado e incluem mal-estar geral, corrimento nasal, tosse seca e febre baixa. Esses sintomas iniciais podem durar semanas, período em que a pessoa também está mais suscetível a transmitir a doença.

No estágio intermediário da coqueluche, a tosse seca piora e outros sinais aparecem e a tosse passa de leve e seca para severa e descontrolada, podendo comprometer a respiração. As crises de tosse podem provocar ainda vômito ou cansaço extremo. Geralmente, os sinais e sintomas da coqueluche duram entre seis e dez semanas.

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