Renda dos 5% mais pobres dobra, mas ainda é inferior a R$ 90 por pessoa

No caso das camadas mais pobres, o avanço da renda ficou mais associado a fatores como o pagamento de benefícios sociais, como o Bolsa Família.

A renda média dos brasileiros 5% mais pobres dobrou em 2022, mas ainda ficou abaixo de R$ 90 por pessoa por mês, apontam dados divulgados nesta quinta-feira (11) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Segundo o órgão, o rendimento mensal domiciliar per capita dessa camada da população alcançou R$ 87, em média, no ano passado.

O valor representa uma alta de 102,3% em relação a 2021, quando a renda dos 5% mais pobres havia despencado a R$ 43 por mês. Em 2012, no início da série histórica, a quantia era de R$ 82. Os resultados integram a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua: Rendimento de Todas as Fontes 2022. Os dados foram divulgados em termos reais, ou seja, com o ajuste pela inflação.

Fonte: IBGE

A renda domiciliar per capita corresponde ao ganho total por uma família dividido pela quantidade de pessoas na residência. A pesquisa do IBGE vai além do mercado de trabalho e também apresenta estatísticas sobre o rendimento dos brasileiros a partir de outras fontes, como aposentadorias e benefícios sociais.

No caso das camadas mais pobres, o avanço da renda ficou mais associado a fatores como o pagamento do Auxílio Brasil, segundo o instituto. Às vésperas das eleições de 2022, o benefício foi ampliado para R$ 600. Na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o auxílio voltou a ser chamado de Bolsa Família.

A alta de 102,3% na renda dos 5% mais pobres foi a maior entre 13 faixas de população pesquisadas pelo IBGE. Em termos relativos, os ganhos foram mais intensos entre as camadas de menor renda. “A melhora é sobre uma base fraca”, ponderou a analista do IBGE Alessandra Brito.

Das 13 faixas pesquisadas, apenas a dos brasileiros 1% mais ricos teve variação negativa no rendimento. Nessa camada, a renda média domiciliar per capita recuou 0,3%, de R$ 17.494 em 2021 para R$ 17.447 em 2022.

Na avaliação de Brito, o principal fator para a ampliação do rendimento dos mais pobres está associado ao Auxílio Brasil, embora a retomada do mercado de trabalho também possa ter gerado efeitos positivos.

Conforme o IBGE, o rendimento dos brasileiros 1% mais ricos (R$ 17.447) correspondeu a 32,5 vezes a renda da metade da população com menos recursos (R$ 537). Embora o abismo siga existindo, a diferença é a menor da série histórica, iniciada em 2012. Naquele ano, a marca era de 38,2 vezes.

O índice de Gini do rendimento domiciliar per capita também recuou para o menor nível da série. Passou de 0,544 em 2021 para 0,518 em 2022.

O índice de Gini mede a concentração dos ganhos. Seu valor varia de zero (perfeita igualdade) a um (desigualdade máxima).

O IBGE apontou que “houve forte redução da desigualdade do rendimento do trabalho em todas as grandes regiões devido, sobretudo, ao ganho de ocupação ocorrido em 2022”.

“Além disso, outro fator relevante é o pagamento dos benefícios do Auxílio Brasil, cujos valores médios, superiores ao antigo Programa Bolsa Família, podem ter contribuído para os ganhos de rendimento domiciliar ocorridos na primeira metade da distribuição de renda em 2022”, acrescentou o instituto.