Economia
Planta para produção de combustível sustentável para aviação é inaugurada no Paraná
Divulgação/Reprodução/AEN

Planta para produção de combustível sustentável para aviação é inaugurada no Paraná

Projeto tem o objetivo de promover a descarbonização do setor aéreo

Mirian Villa - segunda-feira, 17 de junho de 2024 - 09:08

É inaugurada nesta segunda-feira (17) em Foz do Iguaçu, na região oeste do Paraná, a primeira planta para produção de combustível sustentável para aviação. O projeto tem o objetivo promover a descarbonização do setor aéreo por meio de combustível limpo e renovável.

A Unidade de Produção de Hidrocarbonetos Renováveis vai produzir 6kg/dia de bio-syncrude – uma mistura de hidrocarbonetos sintetizada a partir de biogás e hidrogênio verde, que será destinada à produção de SAF (combustível sustentável de aviação).

O projeto piloto conta com investimento de € 1,8 milhão do Ministério Federal da Cooperação Econômica e Desenvolvimento da Alemanha (BMZ). A planta de produção de petróleo sintético está instalada na Usina Hidrelétrica de Itaipu, barragem localizada no rio Paraná, entre o Brasil e o Paraguai. 

Conforme o governo federal, iniciativas como estas estão relacionados diretamente à transição energética. Isso porque, o investimento em novas fontes de energia sustentáveis é fundamental para mitigar os efeitos das mudanças climáticas que atingem todo o planeta.

“A planta de bio-syncrude combina o biogás produzido na unidade de demonstração da Itaipu, que operamos desde 2017, com o hidrogênio verde do PTI, que operamos há dez anos, transformando-o em um novo ativo totalmente renovável, mirando na descarbonização do setor de transporte. Com isso, nós reafirmamos seu compromisso com a sustentabilidade e a inovação, contribuindo para a transição energética brasileira”, explicou o diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri. 

O ministro de Portos e Aeroporto, Silvio Costa Filho, participa do lançamento do programa, às 15h.

Bio-syncrude: unidade de produção de combustível sustentável em Foz Iguaçu

A planta para produção de combustível sustentável utiliza até 50 Nm³/dia de biogás produzido na unidade de biodigestão da Itaipu Binacional como fonte de carbono para a produção dos hidrocarbonetos. Também será utilizado 53 Nm³/dia de hidrogênio verde produzido pelo Parque Tecnológico Itaipu.  

Depois, o bio-syncrude será enviado para o Laboratório de Cinética e Termodinâmica Aplicada (LACTA) da UFPR, em Curitiba, para caracterização e refino visando a obtenção de frações de combustível sustentável para aviação.

O Laboratório de Materiais e Energias Renováveis, da UFPR em Palotina, no oeste paranaense, foi o responsável por conduzir os estudos sobre o processo de reforma a seco do biogás e dos catalisadores utilizados na planta piloto. 

“Trabalhamos juntos para que esta primeira planta de bio-syncrude do país possa viabilizar economicamente uma rota para produção de combustíveis verdes a partir da valorização do biogás, com ênfase no desenvolvimento do mercado de Power-to-X no estado do Paraná”, disse o diretor do projeto H2Brasil, Markus Francke.  

Mapa identificou áreas com potencial de produção de SAF no Paraná

No âmbito da parceria entre a Cooperação Brasil-Alemanha e o CIBiogás, também foi criado um mapa dinâmico para identificar áreas com maior potencial de produção de SAF no Paraná.

“Esse mapa destaca as regiões mais promissoras para a produção de bioquerosene de aviação por meio do biogás. A análise revela que o estado apresenta um potencial de produção de 15mil metros cúbicos por ano de SAF a partir do biogás gerado pelas plantas de biogás em operação mapeadas em 2022”, explicou o diretor-presidente do CIBiogás, Rafael Hernando de Aguiar Gonzalez. 

O CIBiogás é uma empresa criada há 11 anos no ambiente do ecossistema de inovação da Itaipu Binacional, o Parque Tecnológico Itaipu, e é a referência nacional em tecnologias e estratégicas de mercado para a cadeia de biogás e biometano.

“Projetos dessa natureza demonstram o quanto o oeste do Paraná e seu ecossistema de inovação são importantes no desenvolvimento de setor energético brasileiro. Temas com a geração distribuída, microrredes de energia elétrica, consórcios de bioenergia, biometano, produção de hidrogênio encontraram aqui seus primeiros passos. Agora é a hora dos combustíveis avançados”, destaca o diretor superintendente do PTI, Irineu Colombo.  

A parceira conta ainda com o apoio da Fundação Araucária, que realizou contrapartida financeira por meio de investimentos no âmbito do arranjo de pesquisa e inovação em hidrocarbonetos renováveis do Estado do Paraná, que tem como objetivo promoção da organização e integração, e a coordenação de ações estruturantes voltadas à modernização e ao fomento do setor de bioenergia no estado. 

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