Gelson Bampi

Pesquisa da Fiep aponta oscilação no otimismo do industrial em 12 meses

Levantamento detectou que o industrial paranaense está mais suscetível às incertezas na economia que impactam seus negócios.

O industrial paranaense está mais suscetível às incertezas na economia que impactam seus negócios. Esta é a percepção detectada na pesquisa mensal da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), que mede o nível de confiança do empresário.

O estudo mostra que o indicador tem apresentado muitas variações ao longo dos últimos 12 meses no Paraná. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) ficou em 59,4 pontos em agosto, uma alta de 3,6 pontos em relação ao resultado do mês anterior, que foi de 55,8. O índice está na área de otimismo, acima dos 50 pontos, numa escala que vai até 100.

Desde setembro do ano passado o ICEI tem registrado oscilações. Foram seis alterações na curva de tendências em um ano. Essas variações confirmam que não há uma estabilidade na confiança do empresário na economia e nos negócios tanto em relação ao futuro (indicador de expectativas) quanto nos últimos seis meses (indicador de condições). 

“O setor ainda sente os reflexos da pandemia, a escassez e os altos preços dos insumos importados para produção, o agravamento da crise mundial em função do conflito entre Ucrânia e Rússia e as consequências de ordem macroeconômica que desestimularam o consumo no Brasil”, justifica o economista da Fiep, Marcelo Alves. “Este conjunto de fatores gera uma cautela maior do empresário, que revê suas estratégias, aguardando um período mais propício para retomar seus planos e investimentos”, completa.

Há um ano, o ICEI total era de 66,4 pontos, o que confirma uma queda do otimismo nos últimos 12 meses. O resultado de agosto (59,4) foi o mais expressivo do ano até o momento, sete pontos abaixo do indicador de agosto de 2021 (66,4). Para o economista, no ano passado nessa mesma época, o país avançava na vacinação contra a covid-19 e as empresas estavam retomando seu ritmo de atividade. “Havia uma perspectiva maior de retorno da normalidade, o que não se confirmou ao longo do último ano, pelo menos não no ritmo que o mercado gostaria”, justifica.

Em relação aos últimos meses houve uma melhora de cenário por conta do conjunto de medidas adotadas pelo Governo Federal para movimentar a economia. “A redução do ICMS sobre combustíveis e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) baixaram o preço dos combustíveis e das mercadorias, dando um fôlego maior ao consumidor. Some-se a isso que a alta nos juros ajudou a controlar a inflação. Essas medidas tornam a produção industrial mais competitiva, prevendo um possível aumento no consumo, o que anima o empresário”, avalia o economista da Fiep PR.

Na pesquisa, decompondo o ICEI, o indicador de condições saiu de 48,7 pontos, em julho, para 54,7 agora, o que indica que as condições da economia e dos negócios nos últimos seis meses melhoraram. Já o de expectativas, que estava em 59,4 no mês passado e chegou a 61,7 este mês, manteve-se num patamar elevado, distanciando ainda mais da zona de pessimismo, mas com uma alta em menor escala, o que confirma uma certa cautela do industrial para os próximos meses.

Índice de confiança da Construção

Na composição do ICEI Total, o indicador referente à construção civil foi o que puxou o crescimento no mês. Estava em 50,9 pontos em julho e subiu para 68,9 agora, ficando 17,7 pontos acima do resultado do mês anterior. Já o que inclui indústria de transformação e extrativa saiu de 56,5 pontos para 57,3. Uma movimentação de 0,8 pontos.

A pesquisa mensal do ICEI é uma ferramenta importante para o mercado avaliar como o empresário está enxergando o comportamento da atividade industrial e como as condições da economia afetam o desenvolvimento dos seus negócios. 

“Esses dados influenciam diretamente na tomada de decisões e apontam tendências de comportamento que podem ser adotadas nos próximos meses. Também contribuem para que a indústria, entidades de classe e poder público possam adotar medidas pensando na defesa dos interesses do setor”, conclui Marcelo Alves.