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Para onde vai o dólar?
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Para onde vai o dólar?

A desvalorização do Real foi de 13,3% em um ano

Lucas Dezordi - segunda-feira, 24 de junho de 2024 - 08:01

A principal moeda negociada internacionalmente, o dólar norte-americano, disparou em relação ao nosso Real. Há um ano a taxa de câmbio estava em cerca de R$ 4,80 e fechou o dia 21 de junho desde ano em R$5,44. Ou seja, uma desvalorização do Real de 13,3%.

Em nossa coluna de Economia em Destaque, do dia 22 de abril abordamos o tema sobre o futuro do dólar. Apresentamos três grandes fatores que justificam o fortalecimento do dólar e chegamos a seguinte conclusão: O futuro do dólar depende basicamente da dinâmica desses fatores e, entendo que a taxa de câmbio vai oscilar em um valor acima de R$ 5,10 por um bom tempo.

Já prevíamos uma moeda forte para este ano. Contudo, gostaria de destacar um fator que contribuiu significativamente para a recente escalada da moeda estrangeira. A dificuldade em estabilizar o crescimento da razão dívida líquida pública sobre o PIB (Produto Interno Bruto), a qual atualmente está em cerca de 63% do PIB. Uma das formas de estabilizar essa razão, consiste em o governo buscar alcançar superávits primários em seu orçamento. No ano passado, ao apresentar o projeto do novo arcabouço fiscal, o governo havia prometido perseguir uma meta de superávit equivalente a 0,5% do PIB.

Entretanto, neste mês, com o envio da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) a meta caiu para zero. Cabe acrescentar que para 2026 a meta fiscal mudou de superávit fiscal de 1% do PIB para superávit fiscal de apenas 0,25% do PIB. Com efeito, a política fiscal vai perdendo credibilidade e, com isso, gerando maior pressão de alta de juros e câmbio.

Nossa política fiscal perdeu credibilidade e o Banco Central está cada vez mais preocupado. Cabe destacar que no último comunicado oficial do Copom, os membros esclarecem: “O Comitê reafirma que uma política fiscal crível e comprometida com a sustentabilidade da dívida contribui para a ancoragem das expectativas de inflação e para a redução dos prêmios de risco dos ativos financeiros, consequentemente impactando a política monetária”.

Prever movimentos no dólar é sempre muito difícil, pois a moeda estrangeira é afetada por diversos fatores. Nos últimos dias, o dólar subiu muito e pode sofrer ajustes. Entretanto, quero chamar a atenção sobre o ponto fiscal, pois se o governo não sinalizar um ajuste crível do superávit primário, poderemos ter novos movimentos de desvalorização da taxa de câmbio. Vamos acompanhar e monitorar e torcer para que não haja nenhum evento de estresse internacional.

Lucas Lautert Dezordi, é doutor em Economia, assessor econômico da Fecomércio-PR, economista-chefe da Rubik Capital e professor da PUC-PR.

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