Pedro Ribeiro
Ricardo Marajó/SMCS

Alceo Rizzi

Deveria haver certos limites inerentes à própria condição humana, uma espécie de bloqueio ao proselitismo ideológico e à necessidade de autopreservacão de imagem, quando se tenta falsear a realidade e ignorar qualquer escrúpulo em benefício próprio. Em artigo publicado no Washington Post, ex-presidente Lula comenta sobre tentativa, ainda que ela suscite polêmica, do Ministério Público em indiciar o jornalista americano responsável pelo site Intercept que divulga informações hackeadas criminosamente do universo da operação Lava Jato. E compara o caso ao Watergate, que derrubou o presidente americano Richard Nixon em meados dos anos 70. Se estapafúrdia comparação fosse restrita apenas a isso, seria até compreensível diante do conhecido desleixo e desapreço com a verdade e com a responsabilidade sobre o que fala, a exemplo de sua declaração que não bebe álcool desde 74 e que leu 40 livros enquanto esteve preso. Avança ainda mais e diz que o caso do jornalista americano demonstra “a podridão da democracia brasileira”. Ainda que fosse admissível, a mesma democracia que o permitiu se eleger presidente duas vezes e fazer a sucessora. Sob este aspecto, não seria de todo inoportuna a adjetivação que faz, em ato falho de involuntária e impensada reciprocidade.

Alceo Rizzi é jornalista, escritor e publicitário. É autor do livro Nego Mico – Zé Pavão e Outros Alopadros (Livrarias Curitiba)